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Saímos de Curitiba era 19:40 da noite. O avião atrasou um pouco devido ao semi-caos-aéreo instaurado no país nessas semanas. Chegamos em Sãp Paulo - Guarulhos no exato momento do re-embarque pra maior cidade da BOlívia. Ocorre que o setor de embarque internacional estava lotada e a fila era enorme.
Por sorte, por um problema na atualização da informação na tela pela infraero (que apontava - dirija-se a compania ao invés de apontar o status do vôo) a Gol atrasou o vôo em mais de uma hora esperando todos que ainda estavam na fila.
Pois bem, o vôo partiu e algumas horas depois chegou na cidade mais rica da Bolívia. Era umas 2 da manhã. Ocorre que nosso vôo a La Paz era só de manhã, as 7, o que fez com que tivessemos que nos ajeitar por lá mesmo até o horário do vôo. O aeroporto não era ruim. Bem longe disso, aliás, e passou a noite lotado em razão da constante chegada de escoteiros do mundo inteiro que participarão do Jamboree que está ocorrendo aqui em Cochabamba.
1 hora depois do embarque chegamos em El Alto, a São José dos Pinhais aqui de La Paz. O fato do aeroporto ficar a 4200 metros de altitude poderia parecer aterrorizante diante dos relatos poucos simpáticos sobre os efeitos da altitude no corpo de pessoas fora de forma.
Sabe-se lá porque, no primeiro dia, não senti absolutamente nada.
Do aeroporto, trocamos algum dinheiro e viemos de Van-lotação até perto do nosso hotel. Aliás, o excelente hotel Rosário de La Paz. O problema é que a rua do hotel, 2 quadras acima daonde descemos exigia uma extenuante caminhada por uma subida horrivelmente íngreme. A partir daí passamos a sentir os tais efeitos, que de fato são muito ruins.
Por sorte (azar) nossa bagagem foi viajar sozinha até Cochabamba, assim aliviou nosso peso neste primeiro contato com a altitude. (Obs. a bagagem chegou logo depois do meio-dia).
Dormimos umas 3 horas pois estávamos acordados a quase 24, e fomos andar pela cidade que é interessantíssima. Fica dentro de um vale cercado de montanhas andinas. O trânsito é caótico (nada comparado ao Cairo ou Hanói). Aliás a frota lapazeña (sei lá como escreve) é um caso a parte. Segundo um guia nosso, é a maior frota de "transformers" do mundo. Como qualquer país pobre, 90% dos veículos são Vans de sétima mão importadas do Japão que entram aqui pelo porto de Iquique no Chile (aliás, até hoje motivo de discórdia entre os dois países).
Chegando aqui eles dão um jeito de mudar o lado do motorista e por isso são chamados de transformers. Alguns deles ainda tem inscrições em Japnês na lataria.
As principais atrações da cidade são o próprio povo, indígena, cheio de cholitas circulando pela rua, e a arquitetura colonial espanhola. Fizemos um interessantíssimo passeio pela catedral de São Francisco, construída em 1580 com um guia que tinha um problema na boca que impedia entendimento de muito do que falava.
Depois andamos pelo inacreditável mercado das bruxas. São barracas na Calle Linares, dispostas na calçada cheias de produtos de feitiçaria. Os que mais chamam a atenção sem dúvida são os fetos de lhama desidratados expostos em grandes cestas. Há também uma infinidade de ervas, mandingas, peles de onça, de puma, de lobo e aquelas fotos fantásticas pra mostrar em casa depois.
Voltamos ao hotel, pois tinha que dar um jeito de reduzir os 40 dólares que a mulher aqui da agência me pediu pra um passeio de meio dia a Tihuanaku, a machu pichu boliviana aqui do lado de La Paz. Consegui por 10 dólares numa agência recomendada pela nossa bíblia mochileira o bom e velho Lonely Planet. Foi uma boa pois depois comprei mais 3 outros tours com eles.
Fomos dormir cedo para no outro dia acordar as 6:30 (aliás o horário mais tarde que acordamos até agora).
Escreveria sobre os outros 3 dias hoje, mas como andei 64 quilometros de bicicleta ontem por uma estrada bisonha no sopé da amazonia andina e fiz um treking a mais de 5200 metros de altura hoje, meu corpo pouco funciona.
Depois escrevo mais.
Abraço a todos e um excelente ano novo.
André e Karine
Tivemos uma simpatia imediata por Viviane e Hed, os primos do nosso amigo Pierre de Curitiba. Tinhamos conversado algumas vezes por msn, para combinar a viagem, mas assim que nos apresentamos jah eramos amigos. Hed, mora no Sudao em Khartum, trabalha numa empresa que instala antenas de celular e estava em Beirute de ferias para visitar a familia. Viviane e professora em mora la mesmo com a mae. O pai mora em Uruguaiana e os outros dois irmaos na Belgica e na Venezuela.
Moram na verdade em Jonieh, que eh na regiao metropolitana de Beirute apesar de nao se conseguir ver qualquer distincao entre as duas cidades. Fomos de cara visitar Harisa, o lugar aonde fica uma enorme estatua de nossa senhora do Libano, pois pra quem nao sabe Beirute eh uma cidade crista~ basicamente (pelo menos esse lado norte). Eh o topo de um monte com uma belissima vista. A imagem eh cercada por igrejas antigas como a de Sao Pedro e Sao Paulo. De lah fomos a casa dos nosso amigos almocar.
Lah chegando, a tia do Pierre, uma senhora simpatississima, nos recebeu calorosamente, distibuindo beijos e mais beijos, com sorrisos e palavras de alegria em nos ver, talvez projetando na gente uma proximidade com os irmaos que nao via a 45 anos (ano passado ela foi visita-los), desde que imigraram ao Brasil. Nos sentimos imediatamente em casa, pois nao sabiam como nos agradar mais. Mais alguns minutos e estava servido o almoco, pelo menos uns 50 quilos de comida, Humus, esfihas diversas, Pasteizinhos, saladas, pepinos, tomate, batata frita, tabule, 3 tipos de paes, quibe, salada de macarrao e milho, arroz com lentilha e cebola, e enormes pedacos de galinhas pra serem comidas com molho de alho. Era tanta comida que nem cabia na mesa. A namorada do Hed nos acompanhou no almoco.
O engracado eh que a tia do Pierre nao respeitava os nossos aviso de "ta bom" ao colocar comida em nosso prato, o que nos fez passar mal de tanto comer. Como se nao bastasse ainda trouxe banana, umas frutas e cafe turco fortissimo de sobremesa. Quase sai rolando da mesa. Ligamos entao pro Pierre que se encontrava na suite presidencial do sofisticado Resort Ponta dos Ganchos em SC, curtindo a praia, e comecamos a falar todos juntos, eles em arabe e nos em portugues. Apos uns minutos ele entendeu aonde estavamos e se emocionou muito.
Logo apos o almoco, pesando 5 quilos a mais cada um, atordoados com a simpatia e acolhida de nosso novos amigos, fomos levados ateh Byblos a 40 minutos dali. Byblos por muitos milenios foi o porto mais importante do oriente medio e do mundo, escoando pelo mediterraneo tudo que vinha das caravanas de camelos que chegavam da Persia, Babilonia, Mongolia e rota da Seda em geral. Jah foi um porto fenicio e o grande responsavel pela propagacao a 5000 anos atras do primeiro alfabeto do mundo, o cuneiforme (que depois veriamos no museu de Damasco).
O lugar eh magico. Hoje eh uma cidadezinha, um pequeno porto de pescadores, com casas de pedra aonde funcionam bares, restaurantes e lojas de souvenir. Mas queriamos mesmo eh ver o grande sitio arqueologico que tem la, o mais diversificado de todo o mundo. Logo ao entarmos a direita, nos deparamos com escavacoes de tumbas de reis e imperadores fenicios de mais de 3000 anos de idade, os sarcofagos de pedra podem ser vistos logo ao lado. Mais a frente ruinas que revelam a dominacao Romana da epoca de cristo. Grandes pilares que sustentavam um templo de Jupiter, com decoracao Corintia e um grande teatro romano, de frente para o mar, aonde se tinha uma linda vista do por do sol. E como se nao bastasse pra quem gosta de cruzadas, O mais bem preservado castelo cruzado do litoral do mediterraneo, construido pelos cavaleiros hospitalares (nao eram templarios) e cheios de passagens secretas, tuneis, salas, canhoes do ano de 1190. Dali, lancavam ofensivas aos arabes na tentativa da reconquista de Jerusalem. Tudo isso dentro de um mesmo lugar, espetacular. Mais historia em 2 quilometros quadrados do que tinha visto em toda a minha vida.
Beirute..continua....