BLOG A.ZIP

NOTÍCIAS, IDÉIAS, PONTOS DE VISTA, DIVAGAÇÕES E COISAS COM E SEM IMPORTÂNCIA NO MUNDO E FORA DELE.

30

de
dezembro

Dia 26/27 de dez - Sta Cruz de La Sierra / La Paz.

Saímos de Curitiba era 19:40 da noite. O avião atrasou um pouco devido ao semi-caos-aéreo instaurado no país nessas semanas. Chegamos em Sãp Paulo - Guarulhos no exato momento do re-embarque pra maior cidade da BOlívia. Ocorre que o setor de embarque internacional estava lotada e a fila era enorme.
Por sorte, por um problema na atualização da informação na tela pela infraero (que apontava - dirija-se a compania ao invés de apontar o status do vôo) a Gol atrasou o vôo em mais de uma hora esperando todos que ainda estavam na fila.

Pois bem, o vôo partiu e algumas horas depois chegou na cidade mais rica da Bolívia. Era umas 2 da manhã. Ocorre que nosso vôo a La Paz era só de manhã, as 7, o que fez com que tivessemos que nos ajeitar por lá mesmo até o horário do vôo. O aeroporto não era ruim. Bem longe disso, aliás, e passou a noite lotado em razão da constante chegada de escoteiros do mundo inteiro que participarão do Jamboree que está ocorrendo aqui em Cochabamba.

1 hora depois do embarque chegamos em El Alto, a São José dos Pinhais aqui de La Paz. O fato do aeroporto ficar a 4200 metros de altitude poderia parecer aterrorizante diante dos relatos poucos simpáticos sobre os efeitos da altitude no corpo de pessoas fora de forma.
Sabe-se lá porque, no primeiro dia, não senti absolutamente nada.

Do aeroporto, trocamos algum dinheiro e viemos de Van-lotação até perto do nosso hotel. Aliás, o excelente hotel Rosário de La Paz. O problema é que a rua do hotel, 2 quadras acima daonde descemos exigia uma extenuante caminhada por uma subida horrivelmente íngreme. A partir daí passamos a sentir os tais efeitos, que de fato são muito ruins.

Por sorte (azar) nossa bagagem foi viajar sozinha até Cochabamba, assim aliviou nosso peso neste primeiro contato com a altitude. (Obs. a bagagem chegou logo depois do meio-dia).

Dormimos umas 3 horas pois estávamos acordados a quase 24, e fomos andar pela cidade que é interessantíssima. Fica dentro de um vale cercado de montanhas andinas. O trânsito é caótico (nada comparado ao Cairo ou Hanói). Aliás a frota lapazeña (sei lá como escreve) é um caso a parte. Segundo um guia nosso, é a maior frota de "transformers" do mundo. Como qualquer país pobre, 90% dos veículos são Vans de sétima mão importadas do Japão que entram aqui pelo porto de Iquique no Chile (aliás, até hoje motivo de discórdia entre os dois países).
Chegando aqui eles dão um jeito de mudar o lado do motorista e por isso são chamados de transformers. Alguns deles ainda tem inscrições em Japnês na lataria.

As principais atrações da cidade são o próprio povo, indígena, cheio de cholitas circulando pela rua, e a arquitetura colonial espanhola. Fizemos um interessantíssimo passeio pela catedral de São Francisco, construída em 1580 com um guia que tinha um problema na boca que impedia entendimento de muito do que falava.

Depois andamos pelo inacreditável mercado das bruxas. São barracas na Calle Linares, dispostas na calçada cheias de produtos de feitiçaria. Os que mais chamam a atenção sem dúvida são os fetos de lhama desidratados expostos em grandes cestas. Há também uma infinidade de ervas, mandingas, peles de onça, de puma, de lobo e aquelas fotos fantásticas pra mostrar em casa depois.

Voltamos ao hotel, pois tinha que dar um jeito de reduzir os 40 dólares que a mulher aqui da agência me pediu pra um passeio de meio dia a Tihuanaku, a machu pichu boliviana aqui do lado de La Paz. Consegui por 10 dólares numa agência recomendada pela nossa bíblia mochileira o bom e velho Lonely Planet. Foi uma boa pois depois comprei mais 3 outros tours com eles.

Fomos dormir cedo para no outro dia acordar as 6:30 (aliás o horário mais tarde que acordamos até agora).

Escreveria sobre os outros 3 dias hoje, mas como andei 64 quilometros de bicicleta ontem por uma estrada bisonha no sopé da amazonia andina e fiz um treking a mais de 5200 metros de altura hoje, meu corpo pouco funciona.

Depois escrevo mais.

Abraço a todos e um excelente ano novo.

André e Karine

11

de
janeiro

Centro de Beirute, Hafik Hariri e afins

Bom..depois da terrivel revelacao abaixo, voltemos a Beirute:

Saindo de Byblos, ja anoitecendo fomos a Beirute propriamente dita. Beirute hoje eh uma cidade moderna, recuperada dos anos de Guerra civil entre Cristaos e Muculmanos que destruiu o Libano nas decadas de 70 e 80 alem dos inumeros bombardeios Istraelenses que de quando em quando resolve ir atras do pessoal do Hezbollah, totalmente fincado dentro da sociedade Libanesa que os ve somente como um partido politico, aonde as pessoas gastam com vaidade pessoal e gastam valendo. Porshes e Hammers sao abundantes nos enormes engarrafamentos que se formam. Lojas de grandes marcas como Valentino podem ser vistas nas elegantes avenidas de um bairro chique da capital do Libano. Os libaneses se vestem antenados sempre no que a de ultima moda na Europa. La, a vaidade pessoal conta muito. Voce eh o carro que vc tem e a roupa que voce veste.

O meu maior interesse em Beirute era visitar o lugar aonde Hafik Hariri, grande presidente libanes do que nutro alguma admiracao, foi assassinado em um terrivel atentado a bomba que, segundo dizem, foi obra do service secreto sirio, descontente com a atuacao de Hafik que deu cara nova ao Libano, reconstruindo totalmente o pais, apaziguando os briguentos e se afastando do vizinho mala do leste. Hafik Hariri era um multi milhonario que um dia se encheu e falou “vem ca, me da esse negocio aqui que eu resolvo”, e mudou a cara do Libano. A reconstrucao do centro de Beirute, antes um cemiterio de predios caindo aos pedacos cravados de bala, eh ateh agora a maior obra urbana em andamento no mundo.

Pra minha surpresa, tivemos a oportunidade de visitar o lugar aonde esta a sua sepultura. No centro de Beirute existe uma enorme praca, chamada Praca dos Martires. No dia seguinte a morte de Hariri 1 milhao e 200 mil pessoas se reuniram la para protestar. Hoje essa praca esta completamente cercada por cercas e arame farpado e o abriga o seu tumulo numa grande tenda armada no meio da praca. Estacionamos o carro proximo, passamos por duas tendas do exercito que checou quem eramos e finalmente chegamos para visitar o homem. A tenda eh repleta de fotos e montagens retratando Hariri como heroi, martir e grande homem, um lider. Um contador logo na entrada mostra a quantos dias ele ja morreu. O seu tumulo fica logo na entrada e mais a frente, em outra sala separada estar sepultados os outro 7 mortos no atentados. Na maioria segurancas. Tirei algumas fotos. Alem de nos havia apenas um senhor visitando o local. Ele se ajoelhou na frente do tumulo olhando-o atentamente emocionado. Sua boca mexia freneticamente. Fez o sinal da cruz e depois repitiu a mesma cena com os outro 7 sepultados. A emocao dele era indescritivel. Fiquei ali olhando aquela cena. Os funcionarios responsaveis pelo local conversavam entre si nos ignorando. Minutos depois saimos dali em direcao a maior obra de Hariri o Centro nervoso de Beirute.

As quadras que hoje abrigam a grande obra do centro de Beirute estavam todas isoladas pelo exercito. O local eh chamosissimo. Sao diversos predios com cafes embaixo, restaurants chiques, internet cafes, lojas de souvenirs. Muito parecido com Paris do qual foi inspirado. Nada lembrava o tempo que aqueles predios eram repletos de Snipers esperando algum desatento passar pelo local e enfiar-lhes uma bala na cabeca. Tomamos um Hagen Daz na praca do relogio que abriga hoje o Parlamento (que nao consegue a meses escolher um presidente) e um luxuoso café aonde Hariri tomou seu ultimo drink (Suas ultimas pegadas estao registradas no chao em metal) e fomos a uma rua repleta de barzinhos com um longo engarrafamento de porshes, hammers e outros carros caros. Tudo a peh

No caminho percebi que logo a frente havia uma grande concentracao de barracas toscamente armadas e alguns homens em volta de uma fogueira. Uma das pessoas que estava com a gente observou enquanto passavamos pelo acampamento.. “essa gente eh do Hezbollah”…..

10

de
janeiro

Wadi Rum, Jordania. Lawrence da Arabia dia 10 jan

Caros amigos, desculpem-me pelo gap nas minhas mensagens, mas vou ser obrigado a pular alguns dias para contar o que eu fiquei sabendo hoje.

Lawrence da Arabia foi um oficial do exercito ingles que estacionado no Cairo, pediu transferencia para a peninsula Arabica. Admirador confesso do estilo beduino e do deserto, se embrenha durante anos no meio dos arabes costurando um acordo com eles, para que o exercito ingles na primeira guerra mundial ajudasse-os a expulsar os Turcos Otomanos que desejavam anexar esse pedaco de terra ao Imperio Otomano. Eh considerado um dos grandes aventureiros e herois da modernidade. Foi retratado num filme de 1962 cujo protagonista era vivido por Peter O Toole.

Viveu grande parte de suas aventuras em Wadi Rum aqui na Jordania, aonde estivemos ontem e hoje de manha. O lugar eh um cenario absolutamente espetacular, conhecemos de Camelo e de Jipe…e como tem sido uma tonica na viagem, muitas fotos maravilhosas. Eh um deserto cercado de montanhas. O filme alias foi rodado lah, pra quem ja viu o classico de 1962.

Pois bem, por uma dessas coisas que soh acontecem em viagens como essa minha, descobri lah em Wadi Rum que existem alguns Beduinos que conheceram o Lawrence da Arabia, que o viram, ou ainda que estavam por la enquanto ele tb estava. Tomamos algumas informacoes com a ajuda do nosso guia pois nao iriamos perder essa oportunidade de ouro. Soubemos de algumas curiosidade e de duas novidades estarrecedoras as quais vou revelar agora.

Segundo conhecimento geral entre os Beduinos de Wadi Rum e dito por gente que o conheceu pessoalmente o Senhor Lawrence da Arabia, grande heroi, aventureiro era na verdade um baitola, uma menina, um raparigo digno de Brookeback Mountain cuja adoracao pelo deserto se dava unicamente em razao de sua adoracao por….beduinos. Sir Lawrence na verdade mantinha relacionamentos homossexuais e estava "animadissmo" com sua estada no Oriente Medio.

Segundo um membro da camara dos lordes ainda revelou a um dos guias. Sir Lawrence se matou e nao simplesmente caiu da moto como na versao oficial, pois sofria de um grave doenca psicologica quando morreu.

Eh isso ai, reporter Esso, testemunha ocular da historia.

6

de
janeiro

Byblos, Libano 28 de dezembro de 2007

Tivemos uma simpatia imediata por Viviane e Hed, os primos do nosso amigo Pierre de Curitiba. Tinhamos conversado algumas vezes por msn, para combinar a viagem, mas assim que nos apresentamos jah eramos amigos. Hed, mora no Sudao em Khartum, trabalha numa empresa que instala antenas de celular e estava em Beirute de ferias para visitar a familia. Viviane e professora em mora la mesmo com a mae. O pai mora em Uruguaiana e os outros dois irmaos na Belgica e na Venezuela.

Moram na verdade em Jonieh, que eh na regiao metropolitana de Beirute apesar de nao se conseguir ver qualquer distincao entre as duas cidades. Fomos de cara visitar Harisa, o lugar aonde fica uma enorme estatua de nossa senhora do Libano, pois pra quem nao sabe Beirute eh uma cidade crista~ basicamente (pelo menos esse lado norte). Eh o topo de um monte com uma belissima vista. A imagem eh cercada por igrejas antigas como a de Sao Pedro e Sao Paulo. De lah fomos a casa dos nosso amigos almocar.

Lah chegando, a tia do Pierre, uma senhora simpatississima, nos recebeu calorosamente, distibuindo beijos e mais beijos, com sorrisos e palavras de alegria em nos ver, talvez projetando na gente uma proximidade com os irmaos que nao via a 45 anos (ano passado ela foi visita-los), desde que imigraram ao Brasil. Nos sentimos imediatamente em casa, pois nao sabiam como nos agradar mais. Mais alguns minutos e estava servido o almoco, pelo menos uns 50 quilos de comida, Humus, esfihas diversas, Pasteizinhos, saladas, pepinos, tomate, batata frita, tabule, 3 tipos de paes, quibe, salada de macarrao e milho, arroz com lentilha e cebola, e enormes pedacos de galinhas pra serem comidas com molho de alho. Era tanta comida que nem cabia na mesa. A namorada do Hed nos acompanhou no almoco.

O engracado eh que a tia do Pierre nao respeitava os nossos aviso de "ta bom" ao colocar comida em nosso prato, o que nos fez passar mal de tanto comer. Como se nao bastasse ainda trouxe banana, umas frutas e cafe turco fortissimo de sobremesa. Quase sai rolando da mesa. Ligamos entao pro Pierre que se encontrava na suite presidencial do sofisticado Resort Ponta dos Ganchos em SC, curtindo a praia, e comecamos a falar todos juntos, eles em arabe e nos em portugues. Apos uns minutos ele entendeu aonde estavamos e se emocionou muito. 

Logo apos o almoco, pesando 5 quilos a mais cada um, atordoados com a simpatia e acolhida de nosso novos amigos, fomos levados ateh Byblos a 40 minutos dali. Byblos por muitos milenios foi o porto mais importante do oriente medio e do mundo, escoando pelo mediterraneo tudo que vinha das caravanas de camelos que chegavam da Persia, Babilonia, Mongolia e rota da Seda em geral. Jah foi um porto fenicio e o grande responsavel pela propagacao a 5000 anos atras do primeiro alfabeto do mundo, o cuneiforme (que depois veriamos no museu de Damasco).

O lugar eh magico. Hoje eh uma cidadezinha, um pequeno porto de pescadores, com casas de pedra aonde funcionam bares, restaurantes e lojas de souvenir. Mas queriamos mesmo eh ver o grande sitio arqueologico que tem la, o mais diversificado de todo o mundo. Logo ao entarmos a direita, nos deparamos com escavacoes de tumbas de reis e imperadores fenicios de mais de 3000 anos de idade, os sarcofagos de pedra podem ser vistos logo ao lado. Mais a frente ruinas que revelam a dominacao Romana da epoca de cristo. Grandes pilares que sustentavam um templo de Jupiter, com decoracao Corintia e um grande teatro romano, de frente para o mar, aonde se tinha uma linda vista do por do sol. E como se nao bastasse pra quem gosta de cruzadas, O mais bem preservado castelo cruzado do litoral do mediterraneo, construido pelos cavaleiros hospitalares (nao eram templarios) e cheios de passagens secretas, tuneis, salas, canhoes do ano de 1190. Dali, lancavam ofensivas aos arabes na tentativa da reconquista de Jerusalem. Tudo isso dentro de um mesmo lugar, espetacular. Mais historia em 2 quilometros quadrados do que tinha visto em toda a minha vida.

Beirute..continua….

6

de
janeiro

Beirute, Libano 28 de dezembro de 2007

Acordamos as 6 da manha, tomamos café rapidamente pois estavamos ansiosos pelo que viria a seguir, afinal nao e todo dia que se tem a oportunidade de visitar Beirute. Combinamos com os primos do Pierre 9 horas da manha, na estacao de onibus de Charles Hellou no centro da capital Libanesa.

A informacao que tinhamos eh que existiam uns tais special service que saiam de um determinado lugar em Damasco. Pegamos um taxi e fomos para o que la eles chamam de "garagem" que nada mais eh do que um estacionamento de Vans e Taxis. Ao chegarmos la, o nosso taxi foi cercado por dezenas de bigodudos que se acotovelavam atras de passageiros.

O bigodudo vencedor do torneio de cotoveladas, imediatamente nos levou ateh o seu taxi que faria o percurso de 120 km ateh Beirute. Os chamados Special Service sao taxis que fazem esse percurso diversas vezes ao dia, levando e trazendo passageiros e encomendas. O curioso eh que esses taxis, diferentemente dos demais em Damasco, sao enormes carros americanos, estilo Buick da decada de 80 e saem assim que enchem (6 pessoas no caso, 3 na frente e 3 atras). O Sirio pediu nosso passaporte, o que exitamos em fazer, mas nao tinhamos opcao pq senao nao saiamos do lugar. Ele queria ver se tinhamos visto, pois seria uma boa oportunidade de nos acharcar em mais uma graninha.

Sabiamos que a viagem nao custaria mais de 18 dolares. Fechamos em 16 e la fomos nos junto com dois outros barbudos sentido Libano. Depois de 20 minutos por uma excelente estrada em meio a duas montanhas chegamos a amedrontadora fronteira. O bigodudo motorista super ativo movido a cafe e cigarro nos orientou sobre aonde carimbariamos o passaporte. Primeiro na fronteira Siria e metros a frente na Libanesa. No Libano tivemos que responder a diversas perguntas sobre motivos da viagem, aonde ficariamos, com quem ficariamos, quanto tempo, e mais um monte de outras. O passaporte foi cuidadosamente verificado sobre eventuais vestigios de visita a Israel o que nos impediria de entrar no pais. Carimbado o nosso documento verde seguimos ja dentro de territorio libanes.

O bigodudo fez de tudo pra tentar fazer o servico burocratico de fronteira, pelo qual certamente exigiria mais uma compensacao, mas nao deixamos.

O Libano eh um dos menores paises do mundo, e portanto uma breve viagem na percorre boa parte dele. Passamos por lindas montanhas nevadas, cidadezinhas bucolicas em meio a colinas. O motorista parava a cada 15 minutos pra deixar encomendas. Em uma dessas paradas esperamos quase meia hora ateh o dono do pacote aparecer. O meu medo eh que explodisse ali mesmo por causa do atraso do desgracado. Mais um pouco a frente comeca uma sinuosa estrada descendo a serra ateh Beirute lah embaixo. Por enquanto nada de predios destruidos, e buracos de bala, o que nos deixou com uma certa decepcao. Em um dos predios uma bandeira do Brasil pendurada (eles sao apaixonados pela selecao, impressionante).

Ja em Beirute, fomos direto a estacao de onibus aonde nos encontrariamos com nossos anfitrioes. Uma certa tensao rondava afinal nunca os tinhamos visto e estavamos no Libano, oras bolas! Depois de pagarmos o motorista (que por conta propria ficou com 2 dolares a mais..por um servico na fronteira que nao existiu), imediatamente avistamos a mercedes preta que veio nos buscar. E assim comecou a inesquecivel visita a este pais do oriente medio.

3

de
janeiro

Dahab, Cairo, Damasco… e finalmente…Beirute!!

Pegamos o transfer pro Cairo de manha, o que nos possibilitaria uma conhecer a peninsula do Sinai. 8 horas da manha jah estavamos na estrada, passando todas as barreiras do exercito, cruzando com cidadezinhas pitorescas, beduinos numa paisagem arenosa e monocromatica. A expectativa era o famoso canal de suez que liga o mediterraneo ao mar vermelho. O tal canal eh, no minimo, curioso.

Nao fossem as placas na estrada indicando "tunel" em nenhum momento vc tem qualquer impressao  de que esta chegando em algum canal. Quando se menos espera se da de cara com um tunel sem termos visto qualquer indicio de agua. . Acima desse tunel estende-se uma escarpa inclinada, no topo da qual pode-se ver o topo de grandes cargueiros e petroleiros passando lentamente. Repito. Quem chega de carro, de qualquer um dos lado, nao ve qualquer indicio de agua, tanto entrando como saindo. A travessia de um tunel que passa embaixo do canal nao dura mais que 2 ou 3 minutos.

Fiquei meio decepcionado. Achei que iria ver muita agua…e passar uma meia hora dentro do tunel.

Chegamos direto no Cairo e fomos pro aeroporto esperar o voo ateh Damasco, aqui na Siria.A TV dava sem parar a notica da morte de Benazir Butho no Paquistao. O voo foi tranquilo. O transfer nos esperava no lugar correto e fomos direto pro aeroporto.

Jah no aeroporto fomos atras de um skype pra ligar pra casa. Fiquei impressionado com Damasco. Eh uma cidade cosmopolita e cheia de lojas imponentes. Apesar de toda imagem de eixo do mal imputada pelo governo americano. Fazia um frio do cao. O pior que jah senti na vida. No final do dia tomamos informacoes sobre como chegar a Beirute, a 120 quilometros dali no Libano, pois a familia do nosso amigo Pierre nos esperava para uma visita.

Aguardem Beirute…pois foi algo incrivel! 

2

de
janeiro

Dahab, Blue Hole, Abu Galoum.

Acordamos bem cedo no nosso segundo dia em Dahab. O incansavel e indormivel Ahmed as 7 horas da manha ja estava batendo na nossa porta.

Nos vestimos adequadamente para a nossa expedicao a seguir e embarcamos na traseira de um Land Hover cuja unidade de todas pecas se dava por super bonder, durepox, durex e cuspe.

Depois de meia hora sentido norte cruzando inumeras caravanas de camelo que por vezes bloqueavam algum sentido da pista, chegamos a uma pequena praia que dava acesso ao Blue Hole, considerados por muitos, inclusive por mim, como o melhor lugar para mergulho do mundo. Vestimos nossa roupa de borracha para aguentar o frio da agua, todo aparato e partimos para um novo mundo, o mais bonito de todos, aquele debaixo d’ agua. O mar vermelho eh conhecido pela cor da agua, nao vista em nenhum outro lugar, um verde turquesa inexplicavel e pela quantidade de peixes coloridos e corais espetaculares. Este blue hole (buraco azul) especificamente eh um imenso azul cercado de corais que formam um pequena baia.

Terminado o mergulho e devidamente vestidos, subimos a peh uma grande montanha ateh chegar do outro lado aonde havia uma grande quantidade de camelos. O menino que nos acompanhava escolheu um bastante robusto pra mim, pois deveria ser mesmo para aguentar os meus 85 quilos de musculos bem distribuidos. O camelo que me acompanhou durante o dia tinha o nome de Ze, pelo menos foi o que eu entendi quando perguntei.

Jah embarcado no Ze que tranquilamente ruminava sentado, o camelo apoio-se nas pernas de tras me jogando pra frente, posicao que nao era muito confortavel e entao apoio-se nas patas de tras levantando tranquilamente e sem qualquer esforco pois me encontro bastante magro e em forma.

Para evitar a ensolacao compramos um pano arabe preto pra cabeca, com o qual fiquei impresionamente parecido com Lawrence da Arabia, os camelos sozinhos partiram em direcao a Abu Galum uma pequena vila aonde moravam 11 familias de beduinos a beira do mar vermelho, daonde tem-se uma maravilhosa vista das motanhas do outro lado na Arabia Saudita e do mar turquesa.

Foram duas horas do lombo do camelo debaixo de sol (apesar do frio). O caminho se dava numa estreitissima faixa de cascalho entre as montanhas e o mar. Por vezes, essa faixa se estreitava tanto que mal cabia a pata do camelo. Em alguns lugares nao havia na nossa frente qualquer outra coisa senao uma enorme rocha coberta de cascalho. Mesmo assim os camelos sozinhos seguiam entre enormes pedras pelo meio das quais parecia ser impossivel continuar. 

De fato, devo admitir que 2 horas no lombo de um camelo nao eh nada confortavel. Pelo contrario, a partir de um determinado ponto, passa a ser uma penuria pois eh impossivel encontrar qualquer posicao decente.

O curioso eh que os bichos pareciam saber exatamente que caminho seguir, sem qualquer guia simplesmente iam em frente. Chegando em Abu Galum, que se resume a uma pequena vila simpatica com casas de madeira e barro, o Ze sozinho dirigiu-se a um pequeno cercado aonde sentou-se e comecou a comer.

Descemos e fomos ateh a praia. Fantastica. O mar tem uma cor inexplicavel, conforme descrevi acima. o almoco tava incluido, galinha com legumes e arroz. Comemos olhando pro mar e cercado de gatos, uma praga de Dahab. Eles estao em todo lugar, andam por tudo e os locais nao soh parecem nao se importar como tambem acham bonitinho. Sao centenas deles, andam por tudo,  sao companhia inseparaveis em todas as refeicoes. Entram e saem de restaurantes, hoteis, qualquer lugar.

Ficamos mais um tempo em Abu Galum ateh umas 14:30 quando decidimos voltar. Ocorre que no exato mesmo horario, uma horda de russos de todas as idades e extremamente falantes decidiram fazer o mesmo. La fomos nos, dessa vez nuns 25 camelos voltar pra Blue Hole pra pegar a Land Rover pra casa.

A volta foi, no minimo..digamos, dolorosa. 4 horas encima de um camelo eh algo complicado. As costas doem, o braco doi, o saco doi e todos os demais orgaos do corpo humano doem. Ao mesmo tempo e bastante. Coloquei no meu Ipod o excelente disco ao vivo do Renato Teixeira (amanheceu, peguei a viola, botei na sacola e fui viajar…….) para relaxar. Passou 15 minutos e eu queria socar o Renato Teixeira e todos os seus convidados.

Finalmente o periplo terminou. Mas como sofrimento pouco eh bobagem o moleque resolver dar um gas com os camelos no final da viagem o que fez com que todos os nossos orgaos internos saissem do lugar. Voltamos pro hotel, tomamos banho (a agua do chuveiro era salgada), jantamos e fomos ao Tota, um pequeno e discreto bar, o unico mais ou menos de Dahab. Uma musica altissima, e meia duzia de gato pingado. (australiano pingado).

No dia seguinte, por fato de condicoes fisicas, cancelamos toda a programacao e ficamos curtindo o mar de espreguicadeiras na frente do nosso hotel aonde comemos, alem de voltar ao tota pra assistir o Manchester United ganhar do Sunderland com um belo gol de falta do Cristiano Ronaldo.

1

de
janeiro

Dahab, Peninsula do Sinai, Mar Vermelho

As 11 horas da noite, conforme combinado, o nosso transfer nos encontrou no hotel do Cairo, aonde embarcamos com destino ao balneario de Dahab, na Peninsula do Sinai, litoral do mar vermelho.

Convencemos os australianos a irem junto conosco no mesmo transfer ja que iriam se encontrar com primos em Sharm El Sheik, um balneario construido pelos israelenses depois que tomaram do Egito essa pedaco de terra. Rico e sofisticado cheio de hoteis 5 estrelas, resorts e restaurantes caros uns 100 quilometros a frente de Dahab. Foi uma grande sorte pois o transfer era terrivelmente caro (para padroes mochileiros, e claro).

A viagem ocorreu a noite, mas deu pra perceber que a estrada que cruza a peninsula eh muito boa, quase toda duplicada. O inabilidade do motorista em lidar com o ar condicionado nos fez bater o queixo de frio, pois a temperatura despencou a pouca coisa abaixo de zero. Nos enchemos de casaco e nos enfiamos dentro do saco de dormir que trouxemos. Isso tudo dentro do carro. O pior eram as inumeras, incontaveis barreiras de checagem do exercido egipcio. O fato de ja terem perdido esse pedaco de terra em guerras com Israel, e os 3 ultimos atentados terroristas em Sharm e Dahab nestes ultimos 2 anos fizeram com que o governo enchesse as estradas da peninsula do Sinai de soldados e policiais armados. Os motoristas ja eram chapas dos soldados de tanto ir e vir de lah, comprimentando-os efuzivamente. Isso nao evitou de umas 3 ou 4 checagem de passaporte. 

Nao dormi nada, como sempre acontece em viagens. Chegamos no Penguin Village em Dahab logo apos o amanhecer, quando Ahmed nos recepcionou e nos levou ao quarto. O hotel eh uma instituicao desse lugar, pois conta com o melhor centro de mergulho de Dahab, alem do que eh muito barato pelo que oferece (17 euros o quarto pra 2).

Dormimos ateh as 13, pois o corpo humano tem suas limitacoes de periodos sem comer e sem dormir. Saimos pra dar uma volta pelo lugar antes do primeiro passeio que reservamos para as 15. Dahab eh um daqueles lugares que tem poucos iguais. Ateh 15, 20 anos atras era uma vila de beduinos, frequentada somente por Hippies. Na verdade nao mudou muito…….rs

O que se tem agora sao dezenas de hoteis low budget que transformaram o lugar no paraiso dos mochileiros. A orla eh repleta de restaurantes simpaticamente decorados com tapetes, sarongs aonde todos sentam no chao e se refastelam no meio das almofadas, tomando o seu cha..e comendo alguma delicia arabe. Entre os hoteis e os restaurantes, existe uma calcada que vai de uma ponta a outra do balneario (que nao eh muita coisa).

Fizemos um passeio de quadriciclo esse dia pelo deserto aonde visitamos um lugar fantastico chamado Wadi Gnun. Um Canyon habitado por beduinos e algumas poucas casas de barro e palha. Subimos uma montanha aonde tivemos uma espetacular vista de Dahab. Conversamos com os locais algum tempo e voltamos a praia. Tomamos um banho, coisa que nao faziamos a……bom…deixa pra la..e fomos jantar, afinal era Natal!

O dono do restaurante era amistoso…ate demais. Terminamos nossa pasta com salmao e vongoli (entrada de camarao com abacate) e encontramos os australianos que tinham comprado uma cerveja contrabandeada nao sei daonde, os coitados tinham vagado por Dahab por nao sei quantas horas atras de hotel pois no Penguin nao tinha mais vaga. Tomamos ali no restaurante do hotel mesmo, e fomos dormir, pois no dia seguinte conheceriamos o famoso Mar Vermelho e suas profundezas.

Nota: Ao irmos e chegarmos do passeio, Ahmed ainda estava na recepcao, coisa que tambem aconteceu, antes e depois da janta. Ahmed fazendo sua jornada 24 por 24 com afinco.

 

31

de
dezembro

Cairo, dia 2….parte 2

Apos perdermos preciosos minutos para visitar aquela atracao indecente, fomos correndo ateh a cidadela. Um enorme local murado encima de uma colina construido por Saladino, o grande heroi arabe da epoca das cruzadas.

Ocorre que daonde chegamos, a entrada do lugar ficava do outro lado. O que nao seria problema, nao fosse que o diabo do lugar dava uns 5 estadios do Maracana. Quase morremos de cansado pra dar a volta no muro, pra visitarmos o lugar, o que fizemos rapidamente pois tivemos pouco mais de meia hora ateh o lugar fechar.

A volta ao albergue deu-se dentro um  minusculo taxi com 800 mil quitometros rodados caindo aos pedacos dirigido por um pretenso suicida que em uma determinada hora simplesmente estacionou o carro no meio de uma avenida movimentadissima porque foi comprimentar um amigo que viu na calcada.

A noite fizemos nossas malas e embarcamos numa van em direcao a Dahab, um baleario no Mar Vermelho aonde ficamos os 3 dias seguintes.

Por enquanto somos os unicos que foram pro Cairo e ainda nao vimos as piramides

31

de
dezembro

Cairo, dia 2……

Pois bem. Jah recuperados do dia de intensos deslocamento penosissimos acordamos no dia seguinte, tomamos um cha e fomos pra rua. Decidimos ir visitar o Cairo Islamico, pois na volta daqui a alguns dias vamos ter uma visita guiada as Piramides, Museu, e tudo mais que se lembra quando se fala de Egito.

Depois de lutarmos bravamente contra os malvados motoristas egipcios e arriscarmos nossas vidas atravessando as ruas Cairotas chegamos da Mesquita e Madrassa Al Ghouri. O Mausoleu logo a frente estava fechado portando fomos a Mesquita. Logo na entrada, como eh comum no Cairo, jah chegou um dos famosos "simpaticos" que se oferecem pra te contar sobre o lugar. O nosso interesse estava no Minarete daonde teriamos uma bela vista do Cairo Antigo.

Pois bem, devidamente remunerados, este homem e mais um senhor que cuidava da mesquita nos apontaram uma minuscula porta por onde subiriamos ate o minarete. Os primeiros degrais levavam a um balcao atras da Mesquita…por onde saimos pra tirar fotos. A visao era magnifica, absolutamente espetacular pois a Mesquita era finamente decorada, alta,com cupulas cheias de detalhes e pra completar, chegamos bem na hora da oracao do meio dia o que nos permitiu fotos muito boas. Debaixo de nossos pehs as mulheres rezavam separadas dos homens por um biombo, nao podendo ter qualquer contato. O local aonde estavamos era realmente estraordinario. Um pequeno balcao no teto bem nofundo da mesquita. Imaginei que aquilo tinha quase 800 anos de idade.

Subimos mais acima, aonde tivemos acesso ao teto da mesquita de onde subiriamos no minarete. Ali no teto ao longe tinhamos boa visao da Cidadela de Saladino e da mesquina de Mohamed Ali. Alem de espetaculares imagens de um dia a dia que ninguem ve no Cairo. Mulheres isoladas dentro de suas casas com seus afazeres diarios vistas somente por este angulo.

Uma escada absolutamente escura levava ao topo do Minarete. Usei a luz da maquina fotografica pra conseguir com muito custo subir ateh lah. A vista foi REALMENTE recompensadora. Tudo aquilo que se imagina de um pais arabe e um bairro antigo. Cenas pitorescas. A unica coisa que me incomodava um pouco era que aquele minarete tinha jah perto ai dos seus 5 seculos de idade, e o corrimao soh nao havia caido ainda por falta de convite.

Saindo desta mesquita fomos mais a frente visitar Al Azhar. Uma estraordinaria mesquita para 2000 pessoas, aonde funciona a Universidade mais antiga do mundo. Ali sairam varios teoricos arabes.

Sei que minha mae pediu que nao fizesse nada arriscado, porem minha extrema curiosidade nao permitiu que eu entrasse na Madrassa (escola islamica) que lah funciona e perguntasse de Sayd Qutb, o idealizador de todo o extremismo muculmano, pois queria ver o seu livro MARCO escrito em Arabe. Ao fazer a pergunta pro bibliotecario ele desconversou e quis saber o porque eu queria ver justamente aquele livro. Bom, como nao estava afim de terminar do mesmo jeito que ele, parei a conversa por ali mesmo e fui visitar a mesquita, que eh linda.  Tem um grande patio interno de marmore branco, 3 minaretes e dentro um funcionario burrifava um produto pra tentar desinfetar o carpete que a cada sexta-feira recebia 2000 pessoas. Influencias Otomanas e Mamelucas.

Saimos delah e fomos calmamente andando pelo Cairo Antigo em direcao a Cidadela. O Cairo Antigo eh um emaranhado de ruas, vielas, becos repletos de pequenas lojas, senhores fumando o seu chicha, mercadorias sendo levadas em lombo de burro, comida fumegante, criancas correndo pra lah e pra cah e todo tipo de cena de mil e uma noites.

Jah proximos da cidadela fomos abordados por mais dos simpaticos" que sob o pretexto de ajuda-nos e mostra-nos a cidade nos leva a algum lugar desinteressante porque ganha comissao do dono da mesquita visitada pra isso. Tinhamos lido no livro "O Egito dos Faraos" de Airton Ortiz que numa tal mesquita azul aonde esse aliciador tinha levado o autor tinha-se a vista das piramides a partir do minarete. O Aliciador nos disse que o seu intuito era nos levar lah, e deixa-mo-nos aliciar pelo pilantra.

Chegamos na tal mesquita cujo caminho era um monte de beco enlameado. Lah sabiamos que seriamos chamados a dar uma contribuicao pra visitar o lugar e lah foram 2 dolares de cada um. No final das contas, nao tinha vista porcaria nenhuma, o minarete era pequenininho. Na volta cruzamos com o pilantra levando outra familia de desavisados pra tal Mesquita e perguntamos: " Porra, essa nao e a mesquita azul"

Ele respondeu: "Nao. Ela tem Azul dentro, por isso achei"

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